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Edson Rocha

Edson Rocha

Consultor SEO Local

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Dois salões de beleza. Mesmo bairro. Mesmos serviços. Mesma faixa de preço. Um aparece no Google quando alguém pesquisa “fazer escova progressiva na Vila Madalena”. O outro não aparece.

A diferença não está no número de avaliações. Não está no schema markup. Não está na velocidade do site. Está no vocabulário.

O primeiro salão usa as mesmas palavras que os clientes usam quando pesquisam. O segundo usa as palavras que o dono do salão acha corretas. A distância entre essas duas escolhas é a diferença entre aparecer e não aparecer.

O que é linguagem singular local — e por que importa

Linguagem singular local é o conjunto de palavras, expressões e formas de nomear que os clientes de uma região específica usam para se referir a um serviço ou problema. Não é o nome técnico. Não é o nome da categoria no Google. É o que o cliente digita no celular quando está com dor de dente, quando quer reformar o banheiro, quando precisa de uma advogada de família.

A singularidade está exatamente na diferença entre o que o profissional chama e o que o cliente chama.

Um dentista chama de “periodontia”. O cliente pesquisa “tratamento para gengiva sangrando”. Um arquiteto chama de “reforma funcional compacta”. O cliente pesquisa “como reformar apartamento pequeno sem quebrar tudo”. Uma advogada chama de “direito sucessório”. O cliente pesquisa “como transferir herança sem inventário”.

O Google indexa as palavras que estão no seu site. Se as palavras do seu site são as palavras que o profissional usa, e as palavras que o cliente usa são diferentes, o Google não consegue conectar os dois. Simples assim.

“A distância entre o vocabulário que você usa no seu site e o vocabulário que o cliente usa na busca é exatamente o espaço que o seu concorrente vai ocupar.”

Por que o Google favorece a linguagem do cliente

O Google não é um dicionário. Ele não traduz “periodontia” para “gengiva sangrando”. Ele combina termos. Quando alguém pesquisa “clínica perto de mim que trata gengiva sangrando”, o Google procura páginas que contenham essas palavras ou variações semânticas muito próximas. Uma página que fala só em “periodontia” e “doença periodontal” tem muito menos chance de aparecer do que uma página que usa as duas linguagens.

Isso ficou mais pronunciado com as atualizações do algoritmo BERT (2019) e MUM (2021), que melhoraram a capacidade do Google de entender linguagem natural. O algoritmo entende contexto semântico melhor do antes, mas ainda favorece conteúdo que usa o vocabulário da intenção de busca.

Para negócios locais, o efeito é amplificado. As buscas locais são mais conversacionais, mais informais e mais específicas do que buscas gerais. “Encanador emergência Santo André que conserta vazamento no fim de semana” não é uma busca que o Google vai resolver com uma página de “serviços de hidráulica residencial”.

A cilada do vocabulário técnico

Existe uma tendência natural nos profissionais de usar o vocabulário da sua formação. O médico usa CID. O advogado usa latim jurídico. O engenheiro usa termos normativos. O nutricionista usa nomenclatura clínica.

Isso não é arrogância. É o vocabulário que a pessoa usa há anos, que os colegas de profissão usam, que os cursos ensinaram. É o vocabulário que parece correto e profissional.

O problema é que o cliente não fez faculdade de medicina, direito ou engenharia. O cliente pesquisa com as palavras que ele usa no cotidiano, com as palavras que aprendeu em casa, com as expressões que circulam no bairro onde mora.

Pesquisa da Semrush de 2023 mostrou que, em média, as versões coloquiais de termos médicos têm volume de busca 4 a 8 vezes maior que as versões técnicas. “Dor nas costas” tem muito mais buscas do que “lombalgias”. “Manchas na pele” tem mais buscas que “hiperpigmentação cutânea”. Para negócios locais, onde o volume de busca já é menor, essa diferença pode significar zero visitas versus um fluxo constante de clientes.

Como a linguagem singular se conecta ao SEO local

O Google Meu Negócio é o coração do SEO local. E adivinhe onde as pessoas deixam as palavras que mais pesquisam? Nas avaliações.

Quando um cliente escreve “fui fazer a escova progressiva e ficou ótimo, não tem aquele cheiro forte de formol”, ele está deixando no seu perfil do Google Meu Negócio exatamente as palavras que outros clientes vão pesquisar. “Escova progressiva sem formol”. “Escova sem cheiro forte”. Essas palavras no seu perfil aumentam a relevância do seu negócio para buscas com essas expressões.

O mesmo acontece nas páginas do seu site. Um conteúdo que usa o vocabulário real dos clientes tem mais chance de aparecer em buscas conversacionais, mais chance de ser extraído como resposta direta pelo Google, mais chance de ser citado pelas IAs.

E aqui está a vantagem competitiva: a maioria dos concorrentes ainda está escrevendo no vocabulário da formação profissional, não no vocabulário do cliente. A janela para ocupar esse espaço está aberta.

Os quatro tipos de vocabulário local que você precisa mapear

O primeiro é o vocabulário do problema: como o cliente descreve o que está sentindo ou precisando antes de saber o nome do serviço. “Minha torneira fica pingando à noite”. “Tenho dor nas costas quando sento muito tempo”. “Meu filho não consegue prestar atenção na escola”.

O segundo é o vocabulário do serviço: como o cliente chama o que você faz, não necessariamente o nome técnico. “Fazer a limpeza do dente” em vez de “profilaxia”. “Alinhar a coluna” em vez de “tratamento quiroprático”. “Consertar o ar” em vez de “manutenção preventiva de climatizadores”.

O terceiro é o vocabulário geográfico: como o cliente nomeia o local. Não só o bairro oficial, mas os nomes populares, os pontos de referência, as expressões regionais. “Perto do Poupatempo”. “No centrão”. “Aqui na Vila, do lado do mercado”.

O quarto é o vocabulário comparativo: o que o cliente diz quando quer distinguir entre opções. “Dentista que não dói”. “Mecânico honesto”. “Advogado que explica sem enrolar”. Essas expressões aparecem nas avaliações e revelam o que os clientes valorizam, e o que eles pesquisam quando querem garantias.

O que os próximos artigos desta série cobrem

A teoria está clara. O trabalho prático começa no segundo artigo, onde vou mostrar como fazer o mining de avaliações para extrair o vocabulário dos seus clientes de forma sistemática. Depois, como usar esse vocabulário no conteúdo do site, no Google Meu Negócio e nas respostas de IA. Como equilibrar linguagem coloquial e linguagem técnica sem sacrificar autoridade. E por fim, cases reais de negócios locais que mudaram de vocabulário e viram resultado.

A linguagem singular local não é um truque. É a tradução entre o que você sabe fazer e o que o cliente sabe pedir.

Edson Rocha — Consultor SEO Local Ribeirão Preto

Escrito por

Edson Rocha

Consultor de SEO Local em Ribeirão Preto, SP. Criador da Metodologia Diamante Local. Autor dos livros Diamante Local e O Paradoxo das Franquias. Trabalha com negócios que precisam aparecer onde o cliente já está procurando.

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