As avaliações do seu negócio no Google são uma pesquisa de mercado que os clientes fizeram para você, de graça, sem que você precisasse pedir. Cada avaliação contém o vocabulário que aquela pessoa usa para descrever o que você faz, e por extensão, o vocabulário que ela usaria para te encontrar no Google.
A maioria dos donos de negócio lê as avaliações para ver a nota e para saber se tem algum problema a resolver. Isso é aproveitar 10% do valor que está ali. O restante 90% é o vocabulário.
O que é mining de avaliações
Mining de avaliações, ou extração sistemática de linguagem a partir das avaliações dos clientes, é o processo de ler todas as avaliações do seu negócio (e dos concorrentes) com o objetivo específico de identificar padrões de linguagem: quais palavras os clientes usam para descrever o serviço, o problema, o resultado, o ambiente, a experiência.
Não é leitura casual. É leitura com método. Você lê cada avaliação procurando resposta para três perguntas: como o cliente nomeou o serviço? Como descreveu o problema que tinha antes? Que resultado ele disse que obteve?
Essas três respostas formam o esqueleto do vocabulário que você precisa usar no conteúdo do seu site.
Onde encontrar as avaliações para minerar
O Google Meu Negócio é a fonte principal. Todas as avaliações do seu perfil estão disponíveis ali, e você pode ler todas clicando em “Ver todas as avaliações” no painel do GMN. Para negócios com muitas avaliações, o Google limita a visualização, mas você consegue rolar até o final com paciência.
Os concorrentes são uma fonte tão valiosa quanto as suas próprias avaliações, e mais ignorada. Pesquise no Google pelo seu tipo de serviço na sua cidade, abra os perfis dos três ou quatro negócios que aparecem antes do seu e leia as avaliações deles. Você está minerando o vocabulário dos clientes deles, que são os mesmos clientes que você quer atrair.
O Tripadvisor, o iFood, o Doctoralia, o Reclame Aqui e diretórios setoriais específicos do seu setor são fontes secundárias mas úteis, especialmente para capturar vocabulário de reclamações, que revela o que os clientes mais temem e mais pesquisam antes de contratar.
O WhatsApp e o Instagram do negócio são fontes primárias que a maioria ignora completamente. As mensagens que chegam pelo WhatsApp antes de um primeiro contato são ouro puro: são exatamente as palavras que o cliente usou antes de decidir que você poderia resolver o problema. Se você não tem o hábito de guardar esses padrões, comece agora.
Como fazer o mining na prática
O método mais simples é uma planilha com três colunas: “Como nomeou o serviço”, “Como descreveu o problema”, “Que resultado citou”. Você lê cada avaliação e extrai o trecho relevante para a coluna certa.
Depois de processar 30 a 50 avaliações, padrões começam a aparecer. As mesmas expressões se repetem. As mesmas formas de nomear o problema aparecem várias vezes. Essas repetições são o vocabulário de alta frequência, as palavras que mais aparecem nas buscas porque são as palavras que mais aparecem na cabeça dos clientes.
Para um exemplo concreto: uma clínica de fisioterapia que fez esse processo descobriu que seus clientes nunca usavam a palavra “fisioterapia” nas avaliações. Eles escreviam “tratamento da coluna”, “recuperação do joelho”, “dor nas costas que não passava”. A clínica reescreveu as páginas de serviço usando exatamente esse vocabulário e viu crescimento de 40% no tráfego orgânico em quatro meses, sem nenhuma outra mudança.
“As avaliações dos seus clientes contêm o mapa do vocabulário que eles usam para te encontrar. Você só precisa ler com a pergunta certa.”
Padrões que revelam ouro
Ao ler as avaliações com atenção, alguns padrões têm valor especial.
As expressões de contraste são as mais valiosas: “fui em vários lugares e não resolvia, aqui finalmente…”. O que vem antes do “aqui” revela o problema não resolvido que levou o cliente a buscar uma alternativa. Esse vocabulário do problema não resolvido é exatamente o que outros clientes com o mesmo problema vão pesquisar.
As expressões de medo superado também são valiosas: “tinha medo de ir ao dentista mas…”, “não confiava em mecânico mas…”. O que vem depois do “mas” revela o vocabulário da objeção resolvida, e há muita busca por “dentista sem dor”, “mecânico de confiança”, “advogado preço justo”.
As expressões geográficas são ouro para SEO local: “fica perto do metrô Consolação”, “tem estacionamento do lado”, “no coração da Mooca”. Essas referências geográficas informais não estão nos dados oficiais do GMN, mas estão nas buscas dos clientes.
Da planilha para o conteúdo
Com o vocabulário mapeado, o próximo passo é distribuí-lo estrategicamente no conteúdo. As palavras de alta frequência vão para os títulos (H1 e H2), para o primeiro parágrafo de cada página de serviço, para as respostas do FAQ.
As expressões completas que aparecem nas avaliações, frases inteiras como “tratamento para dor nas costas que não passa com remédio”, podem virar H2s ou perguntas de FAQ. O Google reconhece essas frases como correspondência semântica de buscas de cauda longa.
As expressões geográficas informais vão para a seção “Como chegar” ou “Atendemos os seguintes bairros” do site. Não precisam ser forçadas no texto principal, mas precisam estar indexadas em algum lugar da página.
Esse processo de mining não é feito uma vez. Avaliações novas chegam todo mês com vocabulário novo. Reservar uma hora por mês para atualizar a planilha garante que o vocabulário do seu conteúdo continue alinhado com o vocabulário que os clientes estão usando agora, não o que usavam dois anos atrás.
